quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Lado a lado, do teu lado




Quero estar do teu lado nos dias quentes e principalmente nos gelados. Quero estar do teu lado nos grandes naufrágios internos e também nas tempestades em copo d’água. Quero estar do teu lado nas jantas de família e nos acampamentos no meio mato. Quero estar do teu lado, no riso, no choro, no ombro. Quero estar do teu lado no mar gelado e no quente dos teus braços. Quero assim, teu colo aconchegante depois de um domingo entediado. Quero estar do teu lado nas melhores lembranças do teu passado, nas conquistas do teu presente e dentro dos planos do teu futuro. Não importa a distância, quero estar do teu lado nos teus pensamentos, estar do teu lado e respeitar teu espaço, estar do meu lado e respeitar o meu eu, o meu lado de querer estar só mesmo estando junto. O teu de querer ser um só. Quero estar do teu lado quando não quiser nem mais saber do teu nome, mas quando olhar pro teu rosto não conseguir sentir mais nada a não ser vontade de fazer as pazes. Quero estar do teu lado, no meu silêncio e no teu. Mas que saibamos falar tudo sem precisar dizer nada. Que tu entenda meu jeito e que eu compreenda o teu. Quero estar do teu lado quando tudo der errado, e te dar a certeza que o que acontece de errado é para que aconteça mais a frente pelo melhor jeito. Que a vida adora guardar surpresas pra nós, boas surpresas. Quero estar do teu lado, me apaixonando todo dia pela mesma pessoa e que tu se disponhas a fazer isso, eu prometo que irei. Quero estar do teu lado quando as rugas tomarem conta das nossas peles, quando eu resolver deixar a tinta de cabelo de lado, e os nossos fios brancos começarem aparecer. Quero estar do teu lado quando precisar de ajuda pra ler o rótulo do remédio ou do vinho, quando o chocolate tiver que ser diet, quando precisar de ajuda pra colocar as meias e os sapatos. Quero estar do teu lado na hora da bengala, que sejas a minha e eu sejas a tua. E que mesmo assim não deixamos de ser eternas crianças. Quero estar do teu lado na nossa casa da praia, no dia em que os nossos netos nos chamarem de vô e vó. Quero estar do teu lado em qualquer momento, em qualquer horário, no dia do nosso chamado, do dia que Deus quiser. Quero falar que te encontrei, que sorri, que chorei, que nada foi sozinha, que nem tudo foi fácil mas, que foi tudo na tua companhia. Amigos, amores, amantes, confidentes, sonhadores até o último suspiro. E quando eu te encontrar, quanto tu me encontrar, quando eu me encontrar em mim, quanto tu se encontrar em ti, quando nos encontrarmos em nós, quando nos descobrirmos juntos, quando o tempo disser que o que for pra ser será. E Será. Assim que eu te reconhecer tu me reconhecerás, nos reconhecêramos. Vai querendo ficar do meu lado, vou querendo ficar do teu. Lado a lado do teu lado, do meu lado.

Bruna Eccel



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Perfeita Imperfeição


Quero começar desiludindo. Sabe, ninguém é certo o tempo todo, nem é sempre bom, nem faz as coisas sempre certas. E não, isso não é ruim. Ninguém é cem por cento nada. Se parecer ser, desconfie. Somos na absoluta realidade, perfeitas imperfeições. Somos feitos de erros e de acertos, somos imperfeitos, todos temos fases, somos humanos. Comuns, sim. Mas especiais e diferentes nas nossas particularidades e individualidades. Nosso erro, se não o maior é não entender que a perfeição está nos olhos de quem vê. Quero dizer que, o que é perfeito pra mim, pode não ser pra ti e talvez pra nem um outro qualquer.
Está nos olhos de quem vê, é isso. Ela diz que ele não é o mais bonito, mas sorri como ninguém. Não tem os braços mais fortes, mas quando se lembra do abraço só por pensamento sente-se protegida. Ele tem um papo bom, do tipo que se pode passar horas conversando. São diversas as afinidades. Ele não faz o tipo de nenhum outro por ai, e é exatamente isso que fez com que ressurgissem essas borboletas no estômago. Mesmo que ele nem sequer imagine. Perfeita imperfeição, aos seus olhos, aos meus. Contudo, digo que as pessoas esperam muito a perfeição do outro e esquecem que nada nem ninguém é perfeito aqui. Esnobam as pequenas coisas que tornam as pessoas perfeitas, no modo de ver. E ainda mais esquecem que nem sequer eles mesmos são perfeitos, não podendo exigir isso de outro alguém. Somos, vivemos, buscamos, sonhamos e não concretizamos que tudo não passa de uma perfeita imperfeição. E que graça teria se tudo fosse perfeito, se tudo desse sempre certo, se não tivéssemos que lutar por nada, se as coisas ruins não existissem? É essa perfeita imperfeição que toca tudo pra frente, que faz ser diferente, que deixa a graça no viver. Para tentar buscar sempre mais pelo que na verdade nem existe, essa perfeição. É meio louca essa história de viver né? Inconstâncias. Tanto nossas, como em nós, na vida, no todo, no tudo. Essas perfeitas imperfeições que nos tornamos, cada vez mais. Perfeição, quero banir do dicionário, nem que seja do meu. E que sejamos imperfeitos, porque a busca pela melhora, pelo crescimento, tanto individual como no todo deve ser constante e incansável. E que a graça toda se encontre sempre nessa busca pela perfeita imperfeição que tanto almejamos alcançar.

Bruna Eccel

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Peço baixinho


Por vezes quando quero pedir alguma coisa, seja lá pra quem for, pro que for ou como for, eu dou um jeito de pedir baixinho, de só deixar passando pela cabeça, como em um breve pensamento. Acredito que quando a gente pede demais, alto demais o pedido se esvai. E então, eu peço baixinho pra que as coisas deem sempre certo, que nesse caminho todo, nessa trajetória toda da vida, além de tudo, peço que o meu caminho seja iluminado, que nele não falte vida na vida, que não falte nunca felicidade, que eu encontre sempre um motivo pra sorrir, que família seja pra sempre, que a paz aqui, no mundo e dentro de cada um comece a reinar um pouco mais. Mas em especial, tem uma coisa que eu nunca deixo de pedir, eu peço pra que ele, o amor siga sempre do meu lado. Amor é coisa bonita, coisa essencial. E ai eu vou pedindo baixinho, pra que eu semeie amor em tudo que eu faça, em todos meus gestos. Que amor, não é só amor de dois, amor de casal. Amor também é amor pelo que se faz, pelo que se quer, amor por amar ser quem é, amor próprio. Claro que eu peço também esse tal de amor de dois, mas esse não se pede, ele acontece. Porém eu peço mesmo, que ele exista mais dentro de nós, dentro de ti, de cada um. Esse amor, que é sentimento onipresente, sentimento onipotente.

Bruna Eccel

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Intensidades


O que é morno nunca me atraiu. Pensamento morno, vontade morna, vida morna, gente morna. E gente morna só atrai o que é morno. Eu prefiro tudo aquilo que queima ou gela, aquilo que dá calafrios. Intensidade. Gente intensa, vontade intensa, vida intensa. Um pouco de oito ou oitenta a mais pro mundo aqui. E é isso que falta. E tudo que é assim, tudo que é morno funciona como repelente. Expele pra longe tudo que é derivado de intensidade. E eu, ao menos quero que a intensidade faça parte de toda a vida, de toda a minha vida. Quero sorrir demais, me aventurar demais, amar demais, e que se for pra chorar que eu chore demais pra depois a felicidade vir em dobro. Quero intensidade até nas dores. Quero intensidade nos detalhes. Acordar e sair sem rumo, sem parada, sem roteiro. Ver onde vai dar. Quero banho de mar gelado e depois que venha o quente do sol. Quero gargalhar até a rouquidão dar conta do recado. Quero mesmo é dizer, que o que quero mesmo é intensidade. Pra que no final de tudo, eu possa dizer que valeu a pena. Fui ao máximo da intensidade que é sentir qualquer coisa, sobre tudo ou qualquer outra coisa. Apenas intensidade.


Bruna Eccel

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Modo de sentir




Sentir se tornou fator de medo, risco, drama, sentir se tornou doença se tornou dolorido se tornou vergonhoso. Sentir é lindo, e simples. E por ser simples existe pouquíssima gente que consegue dar-se ao luxo da simplicidade que é a de sentir. É preferível o que é complicado, o que não cria laços, o que não corre o risco de se machucar. Sim, uma dose de desapego com três de sem envolvimento emocional, por favor. Esse é o pedido e como todo pedido feito, um dia ele é realizado e esse anda se realizando muito. Estamos virando quase máquinas e não seres humanos. Por vezes levamos outra coisa no peito que não o coração. E somos assim, por uma vez, quase sempre, ou pra sempre. Mas sentir continua fazendo a vida, fazendo momentos, períodos, construindo parte de nós mesmos, nossa parte de dentro, sensações, emoções. Cada momento, cada período da vida é feito por um sentimento diferente, cada etapa da vida aprendemos a sentir e sentimos diferente.
Sentir é palavra forte, é busca, é coração. Sentir as vezes vêm pela contramão, e se diz não independente do sentimento ele busca se infiltrar e interagir em nós com nós mesmos, bate no peito e busca por atenção. Sentir é coragem, sem saber na verdade o que vêm no final. Sentir é não saber. E por vezes não sabemos quais sentimentos nos circundam, e o não saber já se torna um tipo de sentimento sem tradução. E sentir não tem tradução, porém qual dos sentimentos tem? Sentir é assim, aperto no peito, euforia acompanhada de expectativa, mas sentir também é se sentir só. Mesmo que não há quem resista a uma boa companhia. Sentir é estar junto, em qualquer momento. E estar separado pela distância, mas jamais pelo coração ou pelos pensamentos. Sentir às vezes é cruel, e às vezes, encantador. E sabe? O sentimento pouco importa, o essencial é que se saiba sentir. Seja do modo que for, seja do seu modo, mas que saiba de alguma forma sentir. Que seja pelo abraço, pela forma de um gesto, pelo aperto de mão, pelo beijo, mas que às vezes se submeta pelo que é digno de ser verdadeiro, e sinta, sinta-se presente a vida e toda forma de sentir. Sem medo, sem drama, sem dor, sem vergonha, mas que com o coração. E que assim seja, sentir.


Bruna Eccel

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lembra-se


Quando não se sente mais nada, quando o que preenche é vazio, lembra-se. Lembra-se por que as lembranças possuem a força de nos trazer sentimentos passados de volta, lembra-se porque revigora a alma e acalma o coração. Lembra-se por sentir amor, por sentir paz, por acalmar. Lembra-se para preencher. Lembra-se para não chamar de saudade, para disfarçar a verdade que tanto tenta se infiltrar. Lembra-se também, por lembrar, por observar. Lembra-se para sentir o que já não se sente mais, para sentir quando acha-se que já não é mais capaz.

Bruna Eccel

domingo, 16 de outubro de 2011

Onde se encontra


Onde se encontra a entrega e a vontade de amar?
Onde se encontra o amor sem medo de se entregar?
Onde se encontra a simplicidade de cada gesto e a verdade em cada olhar?
Onde se encontra andar de mãos dadas, serenatas, e beijos roubados a cada despertar? 
Onde se encontra nascer e pôr do sol ao lado, marcas de passos na areia, e fim de tarde olhando o mar? Onde se encontra o compartilhar?
Onde se encontra longas e boas gargalhadas?
Onde se encontra o que já se perdeu?
Onde se encontra o que já se tornou banal?
Onde se encontra?
É só falar que vou, é só falar que dou. Dou o melhor de mim e provo que ainda existe sim quem acredite nesse perdido, que ainda existe sim quem o tenha achado. Amor sem medo de amar, amor sem medo de demostrar, amor.

Bruna Eccel

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Salve-se quem doce puder


Todos falam muito de doçura, e repetem umas das frases mais famosas de Caio Fernando Abreu: “Que seja doce”. Então, eu pergunto: Se queres tanto doçura, fazes tua parte em ser doce para alguém? Hoje em dia pedimos tanto, pedimos muito, mas não sabemos dar, apenas pedir. Pensamos demasiadamente em nós, pedimos pra nós, e por nós. Esquecemo-nos dos outros, de todo resto. Hoje, o mundo anda com um lema quase que universal “Salve-se quem puder”. São poucos os que tem a nobre capacidade de serem doces, amigáveis, de agradecer ao invés de pedir, ou pedir sem reclamações. São poucos os que pedem que seja doce com o próximo, são poucos os que ao final do dia agradecem: “Obrigado, Deus. Por mais esse dia”. Somos nada, somos frágeis e por vezes nos achamos tudo, que somos de ferro. Então eu peço para todos e por todos: Que seja doce. Que seja sempre doce cada novo dia de suas vidas e da minha também. Que seja sempre doce seus amores e qualquer forma de amar. Mas, que também seja doce a força de passar pelas desilusões.Que seja doce e forte a saúde, que seja doce as risadas, os abraços, os beijos e os apertos de mão. Que seja doce na medida certa também, por que diabetes ninguém quer. Então, que seja doce a vida, que toda a vida e por toda a vida seja doce. E salve-se quem doce puder, quem doce tiver o dom de ser.

Bruna Eccel

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O real ciclo


No papel o ciclo é esse, mocinhas com seus corações partidos por um grande amor, então chega o seu príncipe encantado, estonteantemente belo, com um sorriso infalível, dentes brancos, e cara de bom moço disposto a ajudar. Veja bem, meu bem. No papel, o ciclo é esse agora na vida real é outra coisa. Tem sempre uma mocinha com o coração partido por um falso amor, então chega outro falso amor e parte mais ainda, depois chega outro falso amor e pisa mais ainda e depois ela aprende. Se é que se pode dizer aprender. Depois ela cansa de ser pisada, e dai existem apenas dois caminhos a seguir, ou ela começa a pisar em todos grandes falsos amores, ou potenciais grandes amores. E dai que eu tenho medo, tenho medo por que ela não vai mais acreditar em nada, e vai ser mais uma amargurada a dizer por ai que o amor não existe, só por que ela não foi forte o bastante pra levantar de todos os pisoes que ganhou e porque ela não foi forte pra suportar todas as partições que foram dadas no seu coração. E eu tenho pena, por que naquele dia em que ela decidiu que ia pisar em todos que ousassem se aproximar ou naquele dia em que ela se trancou em casa e pôs-se a chorar, naquele dia, o homem disposto a reconstruir o coração da moça passou. Não era um príncipe, mas podia ser chamado. Passou, e ficou olhando pra moça estonteantemente bela, com um ar sério, sem mostrar os dentes com cara de que não queria que nada se aproximasse, com cabeça baixa. Mas dai a outra moça que apesar de tudo, continuava sempre ali com a cabeça cada vez mais pro alto, a moça que já sabia o que queria que não andava mostrando os dentes, mas tinha traços agradabilíssimos cruzou no caminho desse bom moço e ai a vida deles começaram a se cruzar por diante, mas isso é outro papo. O ciclo é esse, e só há dois caminhos. Ou acredita-se mesmo depois de todos os pontapés e corações partidos ou desacredita-se amontoando mais um punhado deles. Digo-lhe, Pobre do limão que já nasce azedo e amargurado e nem assim desiste... Faz-se a doce limonada.

Bruna Eccel

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Idealizar


Idealizar é sofrer antecipadamente. É Criar dentro da gente a expectativa de que o impossível pode acontecer. É ver o perfeito onde não tem , encaixar o que não possui encaixe, buscar o que não existe, visualizar afeições e acabar por doer. Idealizar é dor, é como tomar banho de água fria para tentar acordar. É casar, ter filhos, morar em Bora Bora sem o outro sequer imaginar. Idealizar é ter esperança, e como uma criança depois de chorar, continua a acreditar. Idealizar é isso, imaginar, querer, amar, estar próximo, mas não ter. É Sofrer por querer calado, gostar e não estar do lado, não ter, mas sentir. Idealizar é criar, sonhar, mas também é conseguir. Tornar o irreal, real no mundo da nossa cabeça.

Bruna Eccel

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um pouco dessa droga


Naquela roda de gente, de gente de todo tipo, de gente diferente, mas de gente com um problema em comum. Sentei-me como se soubesse o que se passava ali e fui logo escutando e escrevendo o que a menina cabisbaixa tinha pra dizer a todo resto. Começou relatando: “Eu que nunca fui muito de cuidar da saúde, mais uma droga dessa não seria capaz de me derrubar, pensei. E de imediato fui pedindo um pouco, provando, talvez nem tivesse recebido em troca todo aquele apego que tinha colocado nessa maldita droga, ou bendita, como quiserem. E essa droga trás dores inevitáveis, que nunca havia sentido antes. E não tem remédio algum, é uma droga tão velha e ainda não conseguiram inventar um remédio que aniquile de vez com os efeitos dela. Receitaram-me várias coisas, sabe? Como chás milagrosos, bebidas, cartomantes, simpatias... E nada disso deu certo, nada adiantou nada de efeito e a dor que me causava continuava forte ali... no peito. É um tipo de droga que possui um efeito de ir e vir quando quiser, mas quando se chega perto, ou só de avistar já se pode sentir o coração disparar, as mãos gelarem e uma espécie de borboleta no estômago. Nada foi forte o bastante pra fazer com que eu esquecesse todos os efeitos que ela me trazia. Eu sei que não é bom pra mim, sei que deveria manter distância e tentar resistir sempre, mas simplesmente não consigo. Só aprendi com o tempo, que só se consegue largar dessa droga quando nós mesmos formos capazes de admitir que não nos faça bem. Aprendi que essa droga mesmo que às vezes seja ruim, mesmo que às vezes doa, por vezes é a melhor droga do mundo. Acho que por mais que muitas vezes não faça nenhum pouco bem, é a única droga que vale a pena se atirar, por que a gente aprende quando cai de cabeça. Mas quando não nos faz bem, só se aprende a largar essa droga quando nós admitirmos que realmente não nos faça. Mas apesar de tudo, de todos os riscos, de todas as dores que pode causar sei que ela também trás sentimentos inenarráveis, sei que essa droga é ao mesmo tempo a melhor e a pior do mundo por poder causar dependência fortíssima. Nada que com os anos não se aprenda a dose certa de uso ou apego, sei que é isso mesmo. Isso, ele... o amor, é mesmo uma droga.” Boquiaberta, cruzei os braços como se continuasse sem entender que droga seria essa, e parti. Parti como quem não quisesse mesmo entender, nem acreditar no que acabara de ouvir, eu não queria isso eu queria outra coisa bem diferente, queria apenas sentir, doer, provar, queria mesmo era entender. E parti, como se algum dia fosse trombar por ai, com alguém disposto a me dar um pouco dessa droga que tanto ousam chamar de amor.

Bruna Eccel

domingo, 4 de setembro de 2011

Sou vazio


Sou vazio e nunca me encho. Nasci vazio, cresci vazio. E por mais que já tenha tentado, continuo vazio. Não me detenho ao dizer que nasci para ser vazio, e serei. Melhor sentir-se um completo vazio, do que viver na mentira de sentir-se cheio. Sou vazio, e assim mesmo, desse jeito, sei exatamente o que se passa dentro do cheio de cada um. Esse meu vazio não precisa de companhia. Meu vazio é assim, eu com eu mesma, eu comigo só, eu com uma única metade. E não me importo com isso, não me deixo encher com isso. Fico constantemente tentando descobrir o que se passa dentro do meu cheio. Esse cheio que talvez nem exista, mas deve estar por ai se enchendo, como eu. Se enchendo de alguma forma, de gente desinteressante, de porre, de passado, de presente, de futuro. E quando se enche demais dessas outras coisas, esvazia-se quantas vezes for necessário. Nada de cheios inoportunos, cheios que na verdade são cheios completamente travestidos de vazios.

Bruna Eccel

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Torne-se


Havia me tornado, e isso não me apreendia. Nem fazia de mim uma pessoa fria, longe de mim. Sentia-me segura o bastante por na verdade ser o que sempre fui, mas hesitava em ser por medo do que poderia me tornar. E me tornei. O meu mundo era enxergado diferentemente. Torneando minha cabeça, dizendo sempre que absolutamente ninguém é perfeito. E me dava o direito de errar, e a virtude de tentar de novo. Dava-me o direito de ainda não saber amar, o direito de deixar que pensassem o que fossem capazes de pensar, desde que eu tivesse a certeza de que a minha verdade seria o bastante para eu mesma. E me tornei. Tornei-me sábia o bastante por entender que cada um tem o seu jeito de se tornar. Torne-se o bastante para si e torneie-se conforme a vida, conforme as pessoas, conforme a vontade, conforme os fatos, conforme os lugares, conforme ao amor dado e ao recebido. Torne-se para alguém. Se torne, porém, juntamente procure sempre tornear-se também. Se tornar e tornear.

Bruna Eccel

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Chamas


O fogo nunca se repete. Cada chama, cada cor, toda intensidade, nunca é igual. Não sou fogo, mas por vezes sinto-me ao saber que não me repito, não repito meus chamados, tenho inúmeras nuances e minha intensidade depende do quanto sou alimentada. Alimento-me de esperança, de amor, de conhecimento, alimento-me de cada gesto dessa vida. Mas tem uma água que me apaga. É a total desesperança, a tristeza, a desordem, toda desumanidade. Apaga-me a falta de sentimento, a falta de vontade, a falta de viver, a falta de amar, a falta de amor. Mas enquanto sentir-me fogo quero ao menos tentar acender um pouco da chama que cada um leva em si. Chama de viver, de querer, de sentir. Chama pra cantar, chama pra ser livre, chama pra ensinar, chama pra lutar, chama pra sair, chama que eu vou. Me chama.

Bruna Eccel

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Gosto é do mistério


Eu gosto é do mistério. Gosto de tudo aquilo que desperta meu interesse com mistério, gosto do mistério por trás das coisas e principalmente das pessoas. Gosto de quem não é previsível, gosto da incerteza, e da verdade que me trás. Gosto do mistério e da seriedade. Gente que ri e sorri o tempo todo me trás medo, repugno-me com quem não tem alguns minutos de seriedade nas suas palavras. Mas também tenho medo das sérias demais, que não sorriem absolutamente para nada nem ninguém. Prefiro só as sérias, que quando riem e sorriem é com vontade, com verdade. Gosto do mistério por que gosto de às vezes não conseguir entender o que se passa. Eu gosto do que naturalmente me prende. E o mistério tem muito disso.

Bruna Eccel

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Na hora do tempo



Cansei de esperas, de tempo perdido... Aprendi que se não der eu sigo em frente, sempre. E se não der de novo, sem chororôs, apenas não era pra ser. E quem sabe assim não foi bem melhor? E vai ser. Sempre é melhor, a questão é acreditar. Pode ser que demore, pode ser que seja rápido. Mas na hora de cada um tudo que tem de acontecer, acontece. Na hora do tempo, essa hora em que tudo estiver pronto e mais ainda quando se estiver pronto também. Calma, tudo acontece. O tempo sabe, ele sempre sabe... Sabe mais do que ninguém.

Bruna Eccel



Verdade Inventada


Tô tentando pensar e ser mais racional, mas não dá. Essa coisa de tentar ir mais pelo coração, sempre me atrasa me bota pra trás e no final... Sempre acaba machucando. Mas não é uma escolha minha, é uma escolha que já vêm de mim, já está em mim desde que eu notei que o mundo é esse. É o único, e que a gente precisa fantasiar um pouco, um pouco com o que nos faz sentir bem, por mais que não seja verdade, ou que a verdade só seja nossa. A verdade que vive em nós, às vezes e na maioria delas já se torna verdade o bastante. Verdade pra que se possa acabando por aconchegar. E quem vive sem uma verdade inventada? Todo mundo tem uma. Aquela capaz de nos acalmar e trazer o que por vezes nos falta. Até eu tenho uma. E acredito todos os dias que ela exista, por mais que quase-todo-mundo diga que não, mas eu acredito porque isso me faz todos os dias dormir e acordar sorrindo. Por que, pode ser que ninguém tenha notado, mas todo esse mundo que não acredita, também vive em torno e em meio a isso. Mas eu acredito nessa minha verdade, acredito sim, acredito que ele está sempre por ai circundando todo esse mundo, acredito além de tudo que essa verdade não seja só minha e que ele, o amor, realmente exista dentro da verdade inventada de cada um.

Bruna Eccel

domingo, 14 de agosto de 2011

Pai


Ele sempre tem frases feitas, e boas palavras. Fala sem rodeios quando o assunto é sério, fala manso quando quer ajudar, fala forte quando o negócio é futuro. O que quero dizer é que ele sempre tem o tom certo em tudo que quer falar, em tudo que diz e em tudo que faz. Sabe um pouco de tudo e muito de cada coisa. Entende de engenharia, mecânica, matemática e negócios. Entende também muito sobre os animais e sobre a natureza. Sem contar que sempre tem uma explicação pra tudo. Tão prestativo que muitas vezes pensa primeiramente nos outros e depois em sí próprio. Tem braços fortes tanto para trabalho como também para o melhor abraço que existe nesse mundo, capaz de me acalmar e tirar todos os meus medos, com o incrível poder de me deixar com sono. Ensinou-me, desde engatinhar até a dirigir ou andar de cavalo. Ensina-me cada dia mais e me acrescenta sempre cada vez mais. Aprendi com ele coisas como que pra tudo se dá jeito quando existe determinação. Que se já está bom, se tem condições de fazer melhor ainda. Que com força, garra e sem medo pode-se chegar onde quiser. Que família é o nosso bem maior. E que sempre sabemos o que as pessoas estão falando, mas nunca o que elas estão realmente pensando. Aprendi que devemos tratar todas as pessoas igualmente bem, independente de qualquer coisa. Aprendi e aprendo muito sobre humildade, honestidade e força de vontade. Agradeço sempre por todos os puxões de orelha, por todos os limites impostos, por todas as discussões, como também agradeço por todos os carinhos e preocupações, pois foi todo esse conjunto que me tornou o que hoje sou. Graças a ti, pai. Saiba que te amo do jeito que és do jeito que cuida de tudo e todos nós. E que só tenho que te agradecer por todas as coisas que já fez por mim. Por acreditar todas às vezes em mim, quando eu já tinha desacreditado. Tu és o meu maior exemplo, para todas as coisas dessa vida, amo também cada defeito teu e o jeito que tu tens de sempre me dar carinho. Vou ser eternamente a tua “prince”, assim como tu me chama. E quero sempre te ter do meu lado, por que eu vou estar sempre do teu também! Então pai, duas palavras tão pequenas conseguem demonstrar o todo tão grande que sinto por ti: Te amo! Obrigada por simplesmente tudo.

Bruna Eccel

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quem sabe, baby.


Há uma coisa que te quero dizer faz algum tempo. As coisas sabe, as coisas? Tudo aquilo que gira em torno de nós, a vida. Não quero te machucar com essa visão cruel que tô tendo de uns tempos pra cá. Mas sabe essas coisas? Elas vão perdendo o encanto com o tempo e dá uma vontade de deixar pra lá tudo aquilo que nós consideramos puro e belo. Mas, baby... Não me leve a mal, essas loucuras que eu tenho na minha lucidez elas não me fazem nada bem. E vão acabar não te fazendo também, talvez nem seja bom que tu te aproximes de mim. Mas ainda tem mais uma coisa que gostaria de te dizer. Apesar de perder o encanto por muitas coisas, eu ainda assim continuo acreditando em muitas outras.

Quem sabe então, num dia assim, nem quente, nem frio, em uma tarde de outono ou de primavera, a gente se esbarre por ai em uma esquina qualquer, tu me ajude a carregar meus livros, me chame pra um café, dois ou três. E daí, eu comece de novo a achar algum encanto sobre todas as coisas. Quem sabe, baby não se apaixonar mais seja o meu mal. Quem sabe, baby um dia tu apareça e mude todo esse mal. Quem sabe.

Bruna Eccel

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Menina, menina


Ninguém nunca conseguiu a fazer pensar diferente, ou mudar aquele jeito birrento que ela tem de tentar sempre saber de tudo, mesmo que às vezes nem ela saiba. E é isso que assusta ela, o não saber. Mas também, ela não é muito de se assustar... vai e faz. Sei que mesmo sendo teimosa, turrona, ela tem lá suas ânsias de às vezes se sentir sozinha, sabendo que os melhores pensamentos dela venham dessa solidão e ela já se sente acompanhada. Sabe, penso que algum dia alguém vai a fazer enxergar que vale mais a pena ela seguir acompanhada de alguma coisa a não ser a própria sombra. Mas, ela fala que de novo não, que só vai sair dessa quando encontrar aquilo que for exatamente como descreve naquela cabeça bagunçada. Ela sempre sabe exatamente o que quer e como quer. Mas eu falo todos os dias pra ela “menina, menina, essa tua segurança um dia vai te derrubar”. Ela sorri um sorriso cheio de graça e não fala nada, como se as minhas palavras não fossem capaz de atingi-la. Ela sempre diz que não tem medo, que tem tempo, e se o tempo não a bastar ela se basta. O que quero dizer é que ela não tem o mínimo medo de ser sozinha e isso me assusta. Mas ela disse que isso não é um motivo pra sentir medo, nem pra se assustar e diz coisa do tipo: “Eu já me encontrei em mim mesma e se tiver alguma coisa ai, em algum lugar, essa coisa vai estar guardada, no tempo certo”. E sabe que a cada dia que passo eu aprendo um pouco mais com essa menina, sabe que ela tem lá a sua razão, que se for ver, o que tem de ser feito é a nossa parte, ficar de braços cruzados também não ajuda em nada. Mas cativar aquilo que se deseja, demonstrar uma vontade, já é mais do que o suficiente. Tem de deixar que a outra parte demonstre uma vontade também. Mas eu disse pra ela também “Menina tu deves demonstrar mais, chega de guardar tudo pra ti. Tem muita gente que têm um apreço enorme e recíproco por ti.” Mas não, ela não muda. E talvez, nem deva mudar é desse jeito que ela consegue cativar sem saber, é do jeito dela, é do jeito natural dela.
E eu passo meus dias, todos os meus dias sendo a maior companhia dela e não me canso. Estou sempre na cabeça dela e não peso, só peço “Ah, menina... me leva sempre junto contigo, onde for!” Consciência é pra isso.

Bruna Eccel

domingo, 24 de julho de 2011

Embora não saiba


Embora não saiba, embora não imagine, embora não diga... Guardo comigo cada traço do teu rosto, sei das tuas cicatrizes, das quais eu gosto tanto. Sei do jeito como sorri, sei do jeito como olha fixo para as coisas e pessoas com teus olhos quase que empiscáveis, sei da tua cara brava e sei do teu coração mole, isso não me engana, não se engana. Sei do jeito como passa a mão no cabelo e de como arruma a camisa, sei que gosta de estar perto de mim, nem que seja só por um momento. E sei disso tudo porque eu sinto, aliás, o que eu mais faço é sentir, sentir sem falar, sentir e calar. Não quero me tornar vulnerável, não quero expor minha fraqueza ou meu aparente fracasso, ao dizer com a minha verdade angustiada, uma verdade que talvez não tenha retorno, uma verdade não recíproca, que sim, sinto frio na barriga e borboletas no estômago quando te tenho em mim, quando te encontro em mim, quando te vejo chegando. Eu sei, embora não saiba. E sei embora que nunca diga, embora que nunca venha lhe dizer.

Bruna Eccel

segunda-feira, 18 de julho de 2011

E daí?


Hoje eu acordei achando tudo sem a menor graça, então decidi ir deletando tudo aquilo que não queria mais, aquilo que não abria mais o meu sorriso. Eu acordei desacreditando, acordei não querendo mais amar. Acordei com desesperança, com uma vontade quase que irresistível de não fazer nada. E quando eu realmente acordei e dei por mim, eu ri, eu dei gargalhadas. Quem sou eu pra desacreditar em alguma coisa, eu quero muito acreditar em tudo, em tudo que eu decidir acreditar, sabe por quê? Eu tenho vida e tenho só essa.
E daí se alguém já te fez chorar? E daí se alguém já te negou um abraço? E daí se alguém já te disse palavras falsas? E daí que tu já caíste em uma grande ilusão? E daí que tu perdeste o emprego? E daí que o teu coração já foi quebrado em mil pedaços? E daí? E daí, tu aprendeu muito com todos esses teus “E daís” e o que te torna forte é essa quantia de “e daís” que tu junta ao longo de toda essa tua vida esses e daís fazem parte de ti. E daí tu vai tentar ensinar teu filho, teu amigo, teu irmão, todos aqueles a quem tu deseja o bem pra não passar pelos mesmos e daís ruins que tu já passaste. Mas não adianta todo mundo precisa passar por cada um desses e daís. E daí, meu caro, que a gente descobre que nunca se têm e nunca se junta “E daís” suficientes nessa vida, e daí ela sempre te ensina cada dia mais, te acrescenta um e daí a mais e que ela não para pra te ajudar a levantar e que nós temos que ser fortes sempre apesar de qualquer e daí. E aí tá a graça, e daí que saí toda essa graça que é viver.

Bruna Eccel

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Arrumadores de mala


Eu faço de mim um albergue para todas as coisas que sinto, que quero, para todos os meus segredos mais profundos. Eu guardo tudo ali, em mim e pra mim. Só que de vez em quando, quando o dia amanhece eu tenho que juntar tudo isso, todos os meus achados e perdidos e jogar assim mesmo pra dentro da mala, a mala que é a cabeça. E fica assim, tudo meio que perdido e bate aquela confusão dentro de mim, mas uma confusão boa. Durante o dia eu vou dando uns retoques nessa mala, eu vou dando meu jeito pra deixar tudo organizado, pra quando chegar o final do dia estar tudo certo lá dentro, aqui dentro de novo. Mas dai em cada final do dia eu olho pro céu e vejo que tá tudo certo sim, eu vejo que sempre tá. E em cada final do dia eu acrescento mais alguma coisa nessa bagagem pra juntar com todas as outras que já estão por lá. Então eu me recolho de novo no meu albergue e digo a mim mesma que quem complica tudo aqui somos nós mesmos, os nossos próprios arrumadores de mala. Cada um sabe o que vale a pena levar ou tirar. Cada um sabe a mala que carrega, se é que me entende.

Bruna Eccel

domingo, 10 de julho de 2011

A mulher que eu ainda não soubera o nome


Cheguei, fui logo pedindo um café e tratando de arrumar alguma mesa pra eu sentar. Havia uma única moça ali, além de mim. Senti-me acuado ao sentar perto dela, como nunca me senti antes em relação a alguém. Assim, meio que desviando os meus olhos e olhares, tentando resistir, sem conseguir eu observava cada traço dela, cada curva e cada gesto. Logo vi, era daquelas mulheres enigmáticas, era uma mulher com ar de menina ou uma menina com ar de mulher.
Ela incrivelmente tinha olhos curvados e ao mesmo tempo puxados, eram profundos, uma espécie de verde-castanho-mel eram quase desenhados. Seus cabelos eram lisos, longos, castanhos e extremamente brilhosos. Ela era magra, mas tinha curvas acentuadas, não era baixa, nem alta, mediana com pernas longas torneadas. Sem contar que ela vestia calça skinny vermelha, jaqueta de couro preta e botas.
Ela estava debruçada sobre o braço esquerdo, com uma xícara de café, e uma garrafa de água ao lado. Podia notar que estava escrevendo, em um pedaço de papel qualquer, se encontrava em alfa, em plena concentração, não a via nem sequer piscar. Foi ai que sem esperar ela levantou o rosto em minha direção, num breve susto desviei o olhar. Ela olhara apenas para frente como se ao mesmo tempo não olhasse para nada, assim, conclui que ela apenas estava pensando, buscando o que continuar caligrafando naquele papel. Nesse meio tempo, consegui notar que ela tinha mania de morder a boca do lado e a pele do rosto era como porcelana, tinha bochechas rosadas, nariz fino e sobrancelhas delicadas.
Perguntava-me a mim mesmo o que me fazia prender tanto a atenção nela.
Sem esperar, ela sorriu para mim perguntando-me qual seria o meu nome. Respondi: “William, por que?” Pensei comigo mesmo, ora por que? Sentindo-me um tolo de não retornar a pergunta. Em uma fração de segundos a vi passando do lado de fora, pelo vidro me lançou um breve sorriso envergonhado e foi. Eu apenas soube ficar paralisado.
Agora e todos os dias lembro-me de cada detalhe que descrevi sobre essa mulher. Esperando poder tirá-la do meu pedaço de papel. A mulher que eu ainda não soubera o nome. É assim que eu a imagino.

Bruna Eccel

terça-feira, 28 de junho de 2011

Meio termo


As coisas boas, só são boas na medida certa. Amor demais, enjoa. Alto demais, ecoa. Comer demais engorda. Triste demais, se isola. Calor de mais, sua. Rir de tudo, desespero. Chorar de tudo, depressão. Falar demais, tagarela.
Se for optar por alguma coisa, opte sempre pelo meio termo.
Um pouco de saudade, trás a falta. Com um pouco de birra, se tem de volta. Uma pitada de felicidade pra ver o quanto essa vida é boa, “apesar de”. Um sorriso a cada hora, pra aliviar a tensão de cada minuto. Um pouco de entusiasmo pra seguir em frente, mas não demais pra não se decepcionar logo mais. Uma medida certa de simpatia, pra não ser forçado. Um pouco de expectativa, pra não ficar frustrado. Uma ajuda ao próximo, pra poder ajudar a sí mesmo. Se embelezar, mas não fazer disso uma máscara. Ter humildade, mas não confundir com humilhação. Ter orgulho, mas saber pedir e aceitar um perdão. Se tem solidão, fazer dela um momento para reflexão. Não ser rico, nem ser pobre, mas aceitar o que se tem e lutar sempre pelo melhor. Crescer aos poucos para nunca se esquecer do esforço.
Amigos demais, rola falsidade. Amigos de menos, falta amizade de verdade. Saber demais, na realidade não se sabe de nada.
O meio termo é sempre o melhor.

Mas pensar demais, observar demais, ser quieta demais, enlouquecer demais, só me faz escrever demais. Só nesse caso, no meu caso, não sei se demais é o melhor.

Bruna Eccel

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saudade e distância




Se lembrar do jeito e dos gestos, das risadas, dos abraços, dos beijos, das atrapalhadas, do começo, do frio na barriga, das expectativas e Imaginar a presença. É saudade.
Mas o abraço não sentido, os sonhos pra te ver sorrindo, os beijos não devolvidos, o coração apertado pra ouvir tuas palavras no ouvido e querer estar do lado. É distância.
Distância requer mais que vontade, é provar na verdade. Provar que existe o que já não se acredita mais. É fazer das lembranças o porto seguro, se aconchegar no futuro, e entregar todo o resto ao presente. Distância também é segurar as mãos em pensamento, desejar um bom dia ao alento, é massagear e acostumar o coração com a falta. Distância é acreditar, querer, arriscar, confiar, se submeter, é amar. É acima de tudo fazer da saudade e das lembranças à sobrevivência, é ter paciência e tentar esperar. É Confiar no futuro e pedir uma ajuda pro cara lá de cima nos olhar.
Distância é a melhor amiga da saudade. Andam sempre juntas sem dó nem piedade.

Bruna Eccel

terça-feira, 21 de junho de 2011

Se foi


Se foi nossa graça e meu medo de perder o que nunca tive. Se foi meu medo de te abandonar, de tentar achar alguém que pudesse te substituir, se foi o teu lugar. Se foram as minhas mágoas, os meus lamentos escondidos, se foi o meu quebra-cabeça tentando pensar qual seria o defeito, mesmo sabendo que o defeito nunca foi meu, se foi a minha espera por algo que não valia nem os meus segundos. Mas não se foram as minhas memórias, os sorrisos que guardei, os abraços que não ganhei nem os beijos que sonhei. Não se foi a vontade de te ter ao meu lado, os dias pensando no passado, nem os beijos que na minha mente roubei. Não se foram as lembranças de quando planejamos sair pelo mundo juntos.Também não se foram as minhas mágoas, as histórias mal contadas, os dias em que não quis nem mais escutar o teu oi. Não se foram, as palavras que guardei, os sentimentos que exitei, nessa face de meio sorriso. Não se foram, as lembranças dos meus risos sem motivos, minhas atrapalhadas e tropeços sem sentido, nem o disparo do meu coração ao te ver sorrindo. Não se foi, porque nunca quis que fosse, não se foi por que tenho essa mania de trazer do meu lado aquelas coisas que mais gostei, sempre. Te trago assim, como uma coisa que já gostei, mas que só posso ter do lado.
"Se foi, mas sempre volta, essas coisas nunca se vão embora totalmente."

Bruna Eccel

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pessoas e Nozes


Algumas vezes penso que pessoas são como nozes. Algumas possuem suas cascas duras e rígidas, que só sendo quebradas pode-se conseguir o melhor delas, o que está dentro. Outras se racham facilmente, mas o que está por dentro encontra-se quebrado demais para conseguir se retirar por inteiro. Outras são moles por fora, fácil de rachar e podres por dentro. E ainda sim, existem aquelas, que só se obtêm o melhor quando encosta-se a outra coloca na palma da mão e aperta-se forte para serem abertas juntas.

Bruna Eccel

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Foi embora




Tirá-me dessa tristeza que tá ruim de levar. Vêm com a tua voz mansa que me acalma e estende tua mão quando todas as outras já se fecharam. Busca-me do meu erro, é medo de amar. Não quero mais solidão, vêm pra cá. Quero um sorriso de novo, de leve nos meus traços. Esse teu dom de me deixar segura em volta dos teus braços me trás ele de volta rápido. Eu quero aquele teu cheirinho que eu sei que só eu consigo sentir, quero teu carinho e tua mão do lado da minha tão menor. Tirá-me dessa tristeza, rápido. Mas de mansinho me perdoa pelos meus atos insolentes e não pensados, só quero teu abraço. E que sem nenhum atraso, de pressa, te tenha de novo do meu lado e eu sei que vou ter. Hoje já é um novo dia e tudo vai ficar bem. Vai ter sol, vai ter amor sem medo de amar, e de novo você do meu lado. E daí, cadê a tristeza? Foi embora.

Bruna Eccel

sábado, 14 de maio de 2011

Precisamos dos tombos




Se não cair não vou descobrir que isso machuca, e se não levantar não vou estar preparada pra se caso for cair de novo, botar as mãos na frente pro tombo não ser tão forte. Confuso não? Mas é lei da vida. O que nos torna sábios e preparados são as nossas experiências. Não importa se fulano tiver 30 anos, mas ficou trancafiado em casa, ou não viveu, não saiu, não conheceu outras pessoas, não conversou, não andou, não caiu e não levantou. Facilmente outro ai com 20 anos que viveu, conheceu, saiu do mundinho cheio de mesmices, arriscou e lutou, conheceu um pouco de tudo e de todos, naturalmente vai ter uma carga muito maior de experiências vividas, e saber exatamente em que direção apontar. Dar valor pro que se tem dentro da caixolinha que nos foi dada é muito mais importante do que dar valor para os anos que se acumulam e se acumulam sem experiência e sem tombo algum. Precisamos dos tombos. Que eu sempre possa enxergar a frente do que pode vir a me derrubar, pra não cair e ter que levantar. Não quero mesmices, não quero anos na vida, quero mais vida em todos os meus anos.

“Nem por você, nem por ninguém eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos... tem gente ainda me esperando prá contar as novidades que eu já canso de saber, eu sei também tem gente me enganando, mas que bobagem já é tempo de crescer ,eu não abro mão.”

Bruna Eccel

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Não pensar


Com o tempo a gente aprende a não pedir mais, apenas esperar. O problema é quando a gente começa a pensar... “E se o que é meu não estiver realmente guardado?” Mas dai, mesmo sem querer a gente para, pensa e começa a refletir... “Se estiver eu tô aqui”. E tenta não pensar mais, isso dá muita dor de cabeça.

Bruna Eccel

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Precisa-se



Preciso de uma boa música, som dos carros, sem luz do dia. Gosto é da noite
Preciso do queijo, chocolate, e do café com leite
Preciso do amor de pai e mãe, preciso de amor de família, e do cachorro da familia também
Preciso de diversão, descontração, preciso voar
Não sou pássaro de gaiola, sou bicho solto, livre, esperto e que se vira muito bem sozinho
Mas as vezes é preciso que cortem minhas asas pra não voar alto demais
Preciso de conversas inacabáveis, com amores inacabáveis, amor de amigo. Por que os outros amores morrem. Os falsos sim.
Preciso de cafuné, não precisa ser muito se não fico brava, enjoo. Nem me venha com beijos babados, promessas falsas, e pensamentos hipócritas. Me tira do sério.
Preciso do sol da tarde, pra despertar meu bom humor mas não preciso que converse muito comigo pela manhã, se quiser estragá-lo pelo resto do dia.
Preciso de confiança, que me digam o que fazer quando já não sei mais. Preciso de colo.
Preciso emagrecer, sempre digo que preciso.. então se acostume.
Preciso de flores, e de mel, preciso também de um anel.
Preciso de tanta coisa que mal posso dizer, mal posso esperar, mas não quero correr
Preciso, gosto, vou e sou devagar.
Preciso mais ainda que entenda o meu precisar, que nem é tão difícil de entender, é só me fazer precisar de você assim, meio sem querer, meio sem tentar, meio deixando acontecer.
Pensando bem, nem é preciso entender só meio que preciso de você.
Precisa-se precisar para querer.
Precisa-se precisar para ter.

Bruna Eccel

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Real função do coração




Com um certo tempo a gente descobre que além de bater pra nos deixar vivos, o coração também tem a função de falar, escutar, e sentir. A grande diferença é o tempo que cada um demora pra descobrir essa outra função que explendorosamente ele nos dá. Até não diria "nos dá", seria mais uma questão de permitir-se, se conhecer, de deixar sentir. Se deixar levar, pelo que se chama sentimentos, que não sejamos tanto pela razão, que saibamos usar o que temos de melhor dentro de nós. Sem essa chamada banalidade de hoje, sem jogos, sem regras, sem clichês. Tentar sempre e entender que todo mundo erra, pois só no erro se aprende, mas que todo mundo também tem o direito de acertar. As vezes precisa-se apenas escutar além das batidas, largar a mão do medo e enfim, quem sabe, estar realmente pronto pra segurar a mão de alguém.

Bruna Eccel

terça-feira, 12 de abril de 2011

Idas e vindas



Deparo-me com as idas e vindas da vida, mas vindas do que idas, nessa minha vida.

Mas o que me deixa nas minhas duvidas, ansiedades e nessas chamadas controvérsias são as vindas. Essas vindas do que já tinha se ido há certo tempo e voltou. Essa vinda que eu digo que eu sinto aqui de novo, se eu ainda sei o que é sentir. Essa vinda que me assombra, me perturba, vai tirando meu sossego, e acaba por entrar nos meus pensamentos.

Olha eu, que já nem sei mais falar de amor, como se algum dia soubesse. E eu estou aqui, até agora, até hoje... Mas até amanhã já não sei. Espero a tua vinda, ou não. Só espero que não demore demais pra tua vinda chegar.

Bruna Eccel

sábado, 26 de março de 2011

Nossos passos



Não sabemos o que se encontra depois da curva e nem depois de cada passo que se é dado, nem quando se atravessa a rua, nem quando é planejado o caminho a ser tomado. Damos cada passo, e cada passo constrói um pedaço da nossa vida. O grande barato é que nunca saberemos onde vamos chegar, ou o que vamos encontrar no meio do caminho. Uns vão em frente, outros param, calculam, e nem sempre chegam, outros não sabem a direção, mas vão e chegam. É o improvável que torna tudo majestoso, glorioso, curioso e desejado. É a vontade de dar o próximo passo que nos leva a viver, a conhecer, a acreditar, a encontrar. Encontrar nosso caminho, desfazer nossas dúvidas, seguir em diante, encontrar alguém. E é sempre e exatamente o próximo passo que nos coloca a frente de todas nossas dúvidas, euforias, nossas vontades, de novo, de novo e de novo, como nos tira também. Assim que tudo se renova em nós... No próximo passo. Sabem-se quantos passos são necessários para ir até o mercado da esquina, sabe-se quantos quilômetros são de uma determinada cidade a outra, mas o que nos espera entre meio dessa trajetória e o que nos espera no final... Isso nunca se saberá se não formos capazes de dar o primeiro passo que será sempre o começo de uma nova história, de um novo começo, de uma nova vida. E sempre no seguinte passo, ficamos com a incerteza do que nos espera, mas com a certeza do que nos move. Queremos sempre saber o que se encontra no final de cada passo e que todos os nossos passos se encontrem e nos levem onde almejamos chegar.

Bruna Eccel

quinta-feira, 3 de março de 2011

Todo meu jeito


Tem tanta coisa que quero e deixo de fazer, nessa mania de me reinventar... Esqueço e deixo pra lá. Não me julga, não é por mal, perturba mais em mim, coisa e tal. Me desespero, me altero, me olho no espelho, deito, penso, desejo... Quero meu rock, meu ritmo, sombra, luz, quero violão, serenata de amor, mas na verdade ouro branco já me seduz, nada mal. Quero amor, um pouco mais, bem mais, quero um novo, e de novo... Que venha com vontade de mim, que se encontre e ajude a me achar. Quero tudo, tudo junto, tudo ao mesmo tempo, me dá um pouco disso também, pra ficar tudo completo do meu jeito, nessa minha duvida, nesse meu desajeito... Nem que seja por pouco tempo. Não, nada de pedaços, só por inteiro. Desculpa por esquecer de tudo, quase tudo... Gosto de lembrar, deixar pra depois, dar um gosto na saudade, sei lá. E pra falar bem a verdade, eu gosto mesmo é de intensidade. O resto... O resto, deixa pra lá, te explico depois.

Bruna Eccel

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sonho nos sonhos



Pegou o mais lindo dos seus vestidos longos, que por si destacava os grandes e castanhos cabelos, seus olhos, cintura, pernas, seios e seu tom de pele branca algodão. Vestiu assim então, seu preferido vermelho. Se via descendo as escadas, apressada como quem não quisesse perder algo. Em um tropeço que dera, firmemente lhe estenderam a mão. Quase de joelhos, passou os olhos vagarosamente desde os pés até a altura do peito. Sem ousar olhar o rosto, identificou que era um homem... Por sinal bem vestido, de terno e sapatos de verniz. Assim, diria que quase em um sussurro agradeceu-o. Sem tempo de o homem pronunciar alguma palavra, levantou e prosseguiu. Caminhava entre longos corredores. Com o salto dos seus sapatos o barulho pertinente anunciava a pressa dos passos. Chegou diante de uma porta, olhou as horas, respirou fundo e bateu... Uma voz lhe respondeu que poderia entrar. Era o faxineiro, já saindo porta a fora dizendo que não havia ninguém ali, que deveria ter cometido um engano, as aulas de tango são na sexta feira. Murmurando, puxou uma cadeira e sentou-se desconsolada. Começou a ouvir passos, que cada vez pareciam ficar mais próximos, um pouco assustada não olhava para trás. Enquanto escutava, sentia que os passos já estavam próximos o bastante, até que cessaram. Olhando ao chão reconheceu aqueles sapatos e mais ainda reconheceu aquela mão estendida novamente, sem mencionar uma palavra, deram-se as mãos, acompanhavam-se passo por passo, movimentos em pleno compasso, mas o coração batia descompassado. O toque das mãos era macio, mas firme, sentia-se segura, e deixava-se levar. Por um momento, em um breve passo quando jogou-a para trás, levantou os olhos encarando-o, reconheceu além de mãos ou sapatos aquele rosto que já lhe era familiar, se aproximou mais e então...

Acordou do sonho que ousava estar em seus sonhos. Virou-se de lado, e retomou-se a sonhar.

Bruna Eccel