Sou vazio e nunca me encho. Nasci vazio, cresci vazio. E por mais que já tenha tentado, continuo vazio. Não me detenho ao dizer que nasci para ser vazio, e serei. Melhor sentir-se um completo vazio, do que viver na mentira de sentir-se cheio. Sou vazio, e assim mesmo, desse jeito, sei exatamente o que se passa dentro do cheio de cada um. Esse meu vazio não precisa de companhia. Meu vazio é assim, eu com eu mesma, eu comigo só, eu com uma única metade. E não me importo com isso, não me deixo encher com isso. Fico constantemente tentando descobrir o que se passa dentro do meu cheio. Esse cheio que talvez nem exista, mas deve estar por ai se enchendo, como eu. Se enchendo de alguma forma, de gente desinteressante, de porre, de passado, de presente, de futuro. E quando se enche demais dessas outras coisas, esvazia-se quantas vezes for necessário. Nada de cheios inoportunos, cheios que na verdade são cheios completamente travestidos de vazios.
Bruna Eccel
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