
Pegou o mais lindo dos seus vestidos longos, que por si destacava os grandes e castanhos cabelos, seus olhos, cintura, pernas, seios e seu tom de pele branca algodão. Vestiu assim então, seu preferido vermelho. Se via descendo as escadas, apressada como quem não quisesse perder algo. Em um tropeço que dera, firmemente lhe estenderam a mão. Quase de joelhos, passou os olhos vagarosamente desde os pés até a altura do peito. Sem ousar olhar o rosto, identificou que era um homem... Por sinal bem vestido, de terno e sapatos de verniz. Assim, diria que quase em um sussurro agradeceu-o. Sem tempo de o homem pronunciar alguma palavra, levantou e prosseguiu. Caminhava entre longos corredores. Com o salto dos seus sapatos o barulho pertinente anunciava a pressa dos passos. Chegou diante de uma porta, olhou as horas, respirou fundo e bateu... Uma voz lhe respondeu que poderia entrar. Era o faxineiro, já saindo porta a fora dizendo que não havia ninguém ali, que deveria ter cometido um engano, as aulas de tango são na sexta feira. Murmurando, puxou uma cadeira e sentou-se desconsolada. Começou a ouvir passos, que cada vez pareciam ficar mais próximos, um pouco assustada não olhava para trás. Enquanto escutava, sentia que os passos já estavam próximos o bastante, até que cessaram. Olhando ao chão reconheceu aqueles sapatos e mais ainda reconheceu aquela mão estendida novamente, sem mencionar uma palavra, deram-se as mãos, acompanhavam-se passo por passo, movimentos em pleno compasso, mas o coração batia descompassado. O toque das mãos era macio, mas firme, sentia-se segura, e deixava-se levar. Por um momento, em um breve passo quando jogou-a para trás, levantou os olhos encarando-o, reconheceu além de mãos ou sapatos aquele rosto que já lhe era familiar, se aproximou mais e então...
Acordou do sonho que ousava estar em seus sonhos. Virou-se de lado, e retomou-se a sonhar.
Bruna Eccel
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