
Eu faço de mim um albergue para todas as coisas que sinto, que quero, para todos os meus segredos mais profundos. Eu guardo tudo ali, em mim e pra mim. Só que de vez em quando, quando o dia amanhece eu tenho que juntar tudo isso, todos os meus achados e perdidos e jogar assim mesmo pra dentro da mala, a mala que é a cabeça. E fica assim, tudo meio que perdido e bate aquela confusão dentro de mim, mas uma confusão boa. Durante o dia eu vou dando uns retoques nessa mala, eu vou dando meu jeito pra deixar tudo organizado, pra quando chegar o final do dia estar tudo certo lá dentro, aqui dentro de novo. Mas dai em cada final do dia eu olho pro céu e vejo que tá tudo certo sim, eu vejo que sempre tá. E em cada final do dia eu acrescento mais alguma coisa nessa bagagem pra juntar com todas as outras que já estão por lá. Então eu me recolho de novo no meu albergue e digo a mim mesma que quem complica tudo aqui somos nós mesmos, os nossos próprios arrumadores de mala. Cada um sabe o que vale a pena levar ou tirar. Cada um sabe a mala que carrega, se é que me entende.
Bruna Eccel
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