Havia me tornado, e isso não me apreendia. Nem fazia de mim uma pessoa fria, longe de mim. Sentia-me segura o bastante por na verdade ser o que sempre fui, mas hesitava em ser por medo do que poderia me tornar. E me tornei. O meu mundo era enxergado diferentemente. Torneando minha cabeça, dizendo sempre que absolutamente ninguém é perfeito. E me dava o direito de errar, e a virtude de tentar de novo. Dava-me o direito de ainda não saber amar, o direito de deixar que pensassem o que fossem capazes de pensar, desde que eu tivesse a certeza de que a minha verdade seria o bastante para eu mesma. E me tornei. Tornei-me sábia o bastante por entender que cada um tem o seu jeito de se tornar. Torne-se o bastante para si e torneie-se conforme a vida, conforme as pessoas, conforme a vontade, conforme os fatos, conforme os lugares, conforme ao amor dado e ao recebido. Torne-se para alguém. Se torne, porém, juntamente procure sempre tornear-se também. Se tornar e tornear.
Bruna Eccel
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