
Naquela roda de gente, de gente de todo tipo, de gente diferente, mas de gente com um problema em comum. Sentei-me como se soubesse o que se passava ali e fui logo escutando e escrevendo o que a menina cabisbaixa tinha pra dizer a todo resto. Começou relatando: “Eu que nunca fui muito de cuidar da saúde, mais uma droga dessa não seria capaz de me derrubar, pensei. E de imediato fui pedindo um pouco, provando, talvez nem tivesse recebido em troca todo aquele apego que tinha colocado nessa maldita droga, ou bendita, como quiserem. E essa droga trás dores inevitáveis, que nunca havia sentido antes. E não tem remédio algum, é uma droga tão velha e ainda não conseguiram inventar um remédio que aniquile de vez com os efeitos dela. Receitaram-me várias coisas, sabe? Como chás milagrosos, bebidas, cartomantes, simpatias... E nada disso deu certo, nada adiantou nada de efeito e a dor que me causava continuava forte ali... no peito. É um tipo de droga que possui um efeito de ir e vir quando quiser, mas quando se chega perto, ou só de avistar já se pode sentir o coração disparar, as mãos gelarem e uma espécie de borboleta no estômago. Nada foi forte o bastante pra fazer com que eu esquecesse todos os efeitos que ela me trazia. Eu sei que não é bom pra mim, sei que deveria manter distância e tentar resistir sempre, mas simplesmente não consigo. Só aprendi com o tempo, que só se consegue largar dessa droga quando nós mesmos formos capazes de admitir que não nos faça bem. Aprendi que essa droga mesmo que às vezes seja ruim, mesmo que às vezes doa, por vezes é a melhor droga do mundo. Acho que por mais que muitas vezes não faça nenhum pouco bem, é a única droga que vale a pena se atirar, por que a gente aprende quando cai de cabeça. Mas quando não nos faz bem, só se aprende a largar essa droga quando nós admitirmos que realmente não nos faça. Mas apesar de tudo, de todos os riscos, de todas as dores que pode causar sei que ela também trás sentimentos inenarráveis, sei que essa droga é ao mesmo tempo a melhor e a pior do mundo por poder causar dependência fortíssima. Nada que com os anos não se aprenda a dose certa de uso ou apego, sei que é isso mesmo. Isso, ele... o amor, é mesmo uma droga.” Boquiaberta, cruzei os braços como se continuasse sem entender que droga seria essa, e parti. Parti como quem não quisesse mesmo entender, nem acreditar no que acabara de ouvir, eu não queria isso eu queria outra coisa bem diferente, queria apenas sentir, doer, provar, queria mesmo era entender. E parti, como se algum dia fosse trombar por ai, com alguém disposto a me dar um pouco dessa droga que tanto ousam chamar de amor.
Bruna Eccel
Achei excelente este teu texto. Falando do amor como se fosse uma droga. Descreve perfeitamente em que estado nos deixa o mais nobre dos sentimentos. Gosto de escrever poesias se não for encomodo para voce gostaria de lhe pedir para fazer uma poesia adaptada deste teu texto, porque realmente o achei muito interessante e acho que iria ficar legal em uma poesia.
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