segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Irradiando



Sentia-se diferente porém continuava igual. Naquele dia saiu com ar de quem não voltava mais, ao contrário de antes, enquanto caminhava não olhava mais pro chão e nem se mantinha dispersa, o jeito de quem procurava algo sumiu. Nunca havia se sentido tão segura de si, olhava tão para o alto que via o céu, e percebera quanto tempo e beleza tinha perdido das vezes que caminhava olhando ao chão. O vento parecia que lhe acompanhava e dos seus longos cabelos fazia ritmos e canções, como uma brisa se sentia envolta que fazia parte do seu eu mais seguro e até então desconhecido. A cada passo descobria uma nova velha beleza que se encontrava escondida em meio de tantos tropeços e mágoas, a cada passo o ar batia mais forte lançando seu perfume e virando cabeças, a cada passo se via mais mulher, mais o seu "eu" que ultimamente teimava em se esconder. Quando passou por mim, vi que a conhecia mas a tanto tempo que não lhe via percebi que algo tinha mudado mas que sem qualquer explicação mesmo assim continuava igual. Então chegou onde queria sentou-se onde costumava sentar, onde mais gostava de ficar, onde sentia-se bem... na minha companhia. Sentou-se olhou para mim e começamos conversar. Como de praxe me lançou suas palavras, sempre com voz mansa, transmitindo graça. Disse-me que apenas tinha se sentido bem, resolveu caminhar, precisava sentir-se sozinha e que sabia que mesmo em minha companhia era como se não houvesse mais ninguém. Mas também, me disse que agora era livre ou apenas, talvez, por essa tarde sentir-se livre a consumiu. Livre de algo que não lhe fazia bem, mas que sempre cogitou que fosse um dos seus motivos para resgatar sorrisos, o que na realidade era o que lhe tiravam eles. E por se sentir livre, se sentia bem. Nunca me importei de iluminá-la, o que mais gosto é ver seus olhos brilhando e mudando de cor conforme minha luminosidade, e brilhando especialmente para mim. Além de tudo, as vezes, quando bate o frio nas tardes que ela recorre conversas a mim, costumo esquenta-la também, em troca sempre elogia-me das vezes que começo me pôr, pelos nuances que provoco no céu.
Na despedida percebia traços de tristeza no seu rosto, não sei se por mim ou por alguma outra coisa que se foi. Sempre me disse que não gostava de despedidas, mas hoje disse que algumas coisas nos dão adeus para o nosso bem. Então saiu dando seus passos longos de sempre, mas então virou-se e disse: - Obrigada, por me escutar mesmo que em silêncio, me esquentar sempre que há frio, trazer muitas vezes de novo o brilho dos meus olhos e me mostrar a cada dia que sempre depois de uma tempestade vens tu trazendo a alegria de volta, me mostra que enquanto muitas vezes tenho apenas um motivo para arrancar meu sorriso, vens tu com toda tua simplicidade e me faz voltar a sorrir me lembrando que diante de apenas um motivo para roubar o meu sorriso tenho mil motivos para sorrir e sorrir sempre... cada vez mais, sempre mais. Aprendi a irradiar assim contigo, sol.

Bruna Eccel

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