sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

E nós?



Olhares, conversas, interesses, risadas, encaixes, jeitos, gestos, planos, compreensões, conquistas, desventuras, deslizes, paixões, ilusões, mistérios, segredos, medos, intimidades, Conversas inacabadas e inacabáveis... sonhos.
Um início sem querer, coberto de por que. Simetria, sintonia, via, sentia, sabia que era assim, pensava... igual não há, igual não tinha, igual não tem.
Se questionava sempre, a cada dia e momento. Consigo levava uma pergunta feita de duas palavras, no que sempre foi deixado para trás, sem razão. Repetia, o que tinha esquecido, o que foi esquecido... E nós? Se questionava.
Dentre de todo contorno, tantas reviravoltas, ainda continuava cutucando, relembrando e reabrindo...
E nós?
E nós ficou para trás, ficou tarde, mas não ousava em dizer tarde demais. Apenas, o breve ficou tarde. Tarde pra esquecer, tarde pra não lembrar, tarde pra não sentir, tarde pra não pensar, tardes perdi, por pensar que podia te perder dos meus pensamentos, mesmo querendo que fosse, mesmo querendo que ficasse. Quis e não queria, quis e no não querer continua-se querendo.
E nós?
Distante demais, mas não tão distante pra dizer nunca mais.
Se sim ou não ponho-me a lhe ouvir agora.
Sem disfarces, sem mesmices, nem rodeios.
Mesmo sem perceber, mesmo sem querer... foi assim, não querendo mais que esperei por esperar.
Continuei caminhando sozinha...
Assim, deixo para trás... até nunca.... sem continuar, questionando exaltei:
E nós?

Bruna Eccel

"Não me deixes ir, posso nunca mais voltar"
Clarice Lispector

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010


" Pedi uma definição... ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano real: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto e aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. Acho que fiz bem."


Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Irradiando



Sentia-se diferente porém continuava igual. Naquele dia saiu com ar de quem não voltava mais, ao contrário de antes, enquanto caminhava não olhava mais pro chão e nem se mantinha dispersa, o jeito de quem procurava algo sumiu. Nunca havia se sentido tão segura de si, olhava tão para o alto que via o céu, e percebera quanto tempo e beleza tinha perdido das vezes que caminhava olhando ao chão. O vento parecia que lhe acompanhava e dos seus longos cabelos fazia ritmos e canções, como uma brisa se sentia envolta que fazia parte do seu eu mais seguro e até então desconhecido. A cada passo descobria uma nova velha beleza que se encontrava escondida em meio de tantos tropeços e mágoas, a cada passo o ar batia mais forte lançando seu perfume e virando cabeças, a cada passo se via mais mulher, mais o seu "eu" que ultimamente teimava em se esconder. Quando passou por mim, vi que a conhecia mas a tanto tempo que não lhe via percebi que algo tinha mudado mas que sem qualquer explicação mesmo assim continuava igual. Então chegou onde queria sentou-se onde costumava sentar, onde mais gostava de ficar, onde sentia-se bem... na minha companhia. Sentou-se olhou para mim e começamos conversar. Como de praxe me lançou suas palavras, sempre com voz mansa, transmitindo graça. Disse-me que apenas tinha se sentido bem, resolveu caminhar, precisava sentir-se sozinha e que sabia que mesmo em minha companhia era como se não houvesse mais ninguém. Mas também, me disse que agora era livre ou apenas, talvez, por essa tarde sentir-se livre a consumiu. Livre de algo que não lhe fazia bem, mas que sempre cogitou que fosse um dos seus motivos para resgatar sorrisos, o que na realidade era o que lhe tiravam eles. E por se sentir livre, se sentia bem. Nunca me importei de iluminá-la, o que mais gosto é ver seus olhos brilhando e mudando de cor conforme minha luminosidade, e brilhando especialmente para mim. Além de tudo, as vezes, quando bate o frio nas tardes que ela recorre conversas a mim, costumo esquenta-la também, em troca sempre elogia-me das vezes que começo me pôr, pelos nuances que provoco no céu.
Na despedida percebia traços de tristeza no seu rosto, não sei se por mim ou por alguma outra coisa que se foi. Sempre me disse que não gostava de despedidas, mas hoje disse que algumas coisas nos dão adeus para o nosso bem. Então saiu dando seus passos longos de sempre, mas então virou-se e disse: - Obrigada, por me escutar mesmo que em silêncio, me esquentar sempre que há frio, trazer muitas vezes de novo o brilho dos meus olhos e me mostrar a cada dia que sempre depois de uma tempestade vens tu trazendo a alegria de volta, me mostra que enquanto muitas vezes tenho apenas um motivo para arrancar meu sorriso, vens tu com toda tua simplicidade e me faz voltar a sorrir me lembrando que diante de apenas um motivo para roubar o meu sorriso tenho mil motivos para sorrir e sorrir sempre... cada vez mais, sempre mais. Aprendi a irradiar assim contigo, sol.

Bruna Eccel

Há Saudade


Acordou como se estivesse esperando algo, e por sinal sabia que esperava. Mesmo sem saber, mesmo sem querer, Mas esperava.Nunca foi de acreditar em destino e coincidências, acreditava mesmo no famoso "o que for pra ser será". Ainda por cima, acreditava mais ainda no desejo, quando se deseja forte, quando se pensa e acredita, acontece.Meio durona, não acreditava muito no que sentia, mas era sim... era saudade. Sentia saudade do cheiro, do sorriso, do jeito, era o oposto e ao mesmo tempo igual, mas sentia saudade. Passou, sorriu, continuou e se foi. Voltou, parou, conversou, sentia o motivo da saudade, e que em tempo não pôde matar, foi embora. A saudade fica, o cheiro fica, como tudo fica... mas como tudo um dia passa... e vai passar, ela sabe. A saudade continua, as lembranças continuam, do que um dia já foi, do que um dia será, do que ainda pode ser, quem sabe.Ela sabe, ele sabe, há saudade no que une um a dois.

Bruna Eccel