
Apenas saia do meu quarto, do meu espaço, do meu eu, da minha vida, do meu mundo, mas me deixa no meu mundo, na minha cabeça, deixa eu pensar, deixa eu estar, deixa eu sentir sozinha, deixa no meu sofoco, na minha duvida, na minha ansiedade, na minha insegurança, um dia alivia, mas vem pra cá, não me deixa tão sozinha eu preciso disso, eu nem sei se quero, mas eu preciso. Eu acredito. Um dia acreditei, um dia sonhei, um dia desacreditei e segui.
Acreditei que podia existir alguém que soubesse realmente o verdadeiro valor de um sentimento raro e puro, puro pra mim, puro em mim. Raro nesse mundo, raro nos dias de hoje, raro ver em alguém, daqueles raros de achar mesmo. Eu acreditei, e talvez continue acreditando, acreditei em promessas, em papos furados, acreditei na verdade da mentira, acreditei que podias me mostrar alguma coisa que tanto enfatizava ter, só acreditei. É difícil acreditar mas alguma coisa, algum espacinho dentro de mim teima em acreditar em algo que ao certo nem exista.
Eu me sinto sozinha ultimamente mesmo cercada, cercada pelos que me querem bem, cercada de duvidas, incertezas, cercada de tudo. Mas ao mesmo tempo não me sinto cercada, e não estou. Quero me sentir cercada por uma só pessoa, que seja todas ao mesmo tempo, que tire a minha insegurança, que me ouça, que se preocupe comigo, que me ligue só pra saber se estou bem, que não queira nunca o mesmo, o mesmo final de semana de sempre, os mesmos planos, os mesmos papos, os mesmos filmes, eu quero que seja o todo, que vá comigo no cinema, que me surpreenda, que me faça rir, que nunca deixe que o monótono tome conta, invente passeios, planos, acampamentos, sim.. eu amo acampar, amo o verde, amo o céu, amo a praia amo o mar. Alguém que me complete, alguém que seja diferente do comum, que se importe com sentimentos, e realmente acredite no amor. Assim como eu ainda acredito. Não almejo alguém perfeito, eu falo mesmo de qualidades, falo mesmo de interior, e não da beleza no exterior, não precisa ser o mais bonito, nem o mais magro, nem o mais gordo, quero alguém que apenas tenha uma coisa que eu não acho mais, uma coisa que se tivesse me surpreenderia, que me prendesse com gestos, que me prendesse com atitudes, e não com palavras. Isso não me prende, me afasta, me expele pra longe, tenho medo de promessas, gosto de surpresas, do inesperado, nem peço flores, só que fique do meu lado quando eu não conseguir mais sorrir sozinha. Eu não sei, não quero saber e não acho que seja exigir demais achar que ainda exista alguém por ai que tenha sentimentos e que o maior valor de tudo esteja devidamente neles. Desacredito por enquanto, desacredito que exista mesmo que aquele pedacinho me diga que exista. Desacredito, porque já me fizeram acreditar, acreditei. E hoje desacredito até conseguirem me fazer acreditar novamente. Enquanto isso eu fico aqui, olhando pela janela, fico com a minha inocência e não tenho vergonha dela, eu fico sozinha, com o que me cerca, faltando ainda aquele pedaço de cerca que pode ser que um dia me cerque. E ao certo não sei, mas eu to bem. Do meu jeito... mas bem.
Bruna Eccel
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