
Cheguei, fui logo pedindo um café e tratando de arrumar alguma mesa pra eu sentar. Havia uma única moça ali, além de mim. Senti-me acuado ao sentar perto dela, como nunca me senti antes em relação a alguém. Assim, meio que desviando os meus olhos e olhares, tentando resistir, sem conseguir eu observava cada traço dela, cada curva e cada gesto. Logo vi, era daquelas mulheres enigmáticas, era uma mulher com ar de menina ou uma menina com ar de mulher.
Ela incrivelmente tinha olhos curvados e ao mesmo tempo puxados, eram profundos, uma espécie de verde-castanho-mel eram quase desenhados. Seus cabelos eram lisos, longos, castanhos e extremamente brilhosos. Ela era magra, mas tinha curvas acentuadas, não era baixa, nem alta, mediana com pernas longas torneadas. Sem contar que ela vestia calça skinny vermelha, jaqueta de couro preta e botas.
Ela estava debruçada sobre o braço esquerdo, com uma xícara de café, e uma garrafa de água ao lado. Podia notar que estava escrevendo, em um pedaço de papel qualquer, se encontrava em alfa, em plena concentração, não a via nem sequer piscar. Foi ai que sem esperar ela levantou o rosto em minha direção, num breve susto desviei o olhar. Ela olhara apenas para frente como se ao mesmo tempo não olhasse para nada, assim, conclui que ela apenas estava pensando, buscando o que continuar caligrafando naquele papel. Nesse meio tempo, consegui notar que ela tinha mania de morder a boca do lado e a pele do rosto era como porcelana, tinha bochechas rosadas, nariz fino e sobrancelhas delicadas.
Perguntava-me a mim mesmo o que me fazia prender tanto a atenção nela.
Sem esperar, ela sorriu para mim perguntando-me qual seria o meu nome. Respondi: “William, por que?” Pensei comigo mesmo, ora por que? Sentindo-me um tolo de não retornar a pergunta. Em uma fração de segundos a vi passando do lado de fora, pelo vidro me lançou um breve sorriso envergonhado e foi. Eu apenas soube ficar paralisado.
Agora e todos os dias lembro-me de cada detalhe que descrevi sobre essa mulher. Esperando poder tirá-la do meu pedaço de papel. A mulher que eu ainda não soubera o nome. É assim que eu a imagino.
Bruna Eccel