sexta-feira, 28 de maio de 2010

Silêncio em mim


O silêncio que trago em mim
São as palavras maiores e mais expressivas
Que guardo através de um sorriso, um afago, ou um amasso
De um gesto qualquer, um carinho, ou um abraço
De um aperto, uma risada ou de um jeito desastrado.

O silêncio que trago em mim
Talvez seja o silêncio mais bonito
Sem ser demonstrado ou explicado.

O silêncio que trago em mim
É a penas o silêncio de fora
Dentro é a voz, o grito, a felicidade, a angustia, a vontade.

O silêncio que trago em mim
Pode ser dito apenas no meu silêncio
E talvez, mesmo assim, continue não compreendido.

O silêncio que trago em mim
Para se entender de uma vez
É tudo aquilo que quero dizer, fazer e sentir
Mas prefiro continuar assim
Com o silêncio que trago em mim
Dizendo tudo aquilo que ouso em dizer
Apenas no meu silêncio, no meu silêncio de sentir.

Bruna Eccel

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Seguindo a canção



Esperei tanto, desiti, perdi o encanto
Mas no entanto em um canto ainda guardava o lugar
espaço ocupado, marcado, marcas de amor do que não aconteceu
São marcas de esperança, de uma lembrança que o sonho deu
Se lembro do jeito do gesto, do certo pra mim...
Sinto borboletas, um frio, o soar de uma canção que não tem fim.

No começo de tudo, era mudo
Olhares cruzados, desejo do lado, do querer, do sentir.
Então o empace, me faça um milagre
se dizes que quer, que ama, não me deixe assim
ouvir que gostas, não fale sobre a falta... isso revolta sim.
Se sentes falta, a solução é você está em você, apenas em você.
Se falo cala, se calo fala.
Enrola, descola.

Vêm, segura minha mão, segue essa canção
Ela não tem fim.
Sente o começo, do que era avesso
Sei que o agora é real...

- Pingo de esperança em mim.

Agora falo, sei... Não te acalmo
Quero do meu lado, no meu sonho vi
Alguém do nosso lado, elogiando o que era claro
Evidente, aparente
Sim, o amor da gente.
O mundo agora a favor, ouvi dizer: tudo pelo amor!
Vêm, segura minha mão, segue o coração
Ele está em mim.

Esse é o começo, valeu meu desprezo
Sinto você perto de mim.
Quero tua calma, vê se me acalma.
Vejo lá na frente, risos, gente, a gente, contente
Caminhando pela praia, mãos com mãos
rindo do que se foi, feliz pelo que será.
Agora é você em mim eu em você
E a canção pra nós, por nós.
Estimei isso, meu compromisso, prazer em conhecer.

Bruna Eccel

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pensar em pensar



Pensamentos que surgem, que fazem parte de mim...
E o que me faz pensar tanto assim?
Penso em como vou ser daqui um tempo, olho ao meu redor e meus olhos correm em direção a velhinha que está atravessando a rua com a sua bengalinha parece sorrir, será que vou ser assim? Será que ela já passou pelo o que eu já passei? Como foi a vida dela? E o que ela fez? Aquele sorriso estampado no rosto, é tanta felicidade assim?
Isso tudo rola tão naturalmente na minha cabeça, será que é normal pensar assim?
Esses pensamentos já me ajudaram pro bem, ou melhor... apenas para o bem o mal não tem lugar aqui no meu mundo, na minha cabeça, no lugar mais seguro ali sim eu sei que ninguém pode chegar e por mais que tentem ou nem tentem jamais vão conseguir mudar o que se passa lá.. e o que se passa lá?
Me disseram que pensar demais enlouquece, pobre de mim... desculpa informar sou doida varrida, doida de pedra, doida do que quiser, doida de doida. enlouqueci a partir do momento que nasci. Então penso, graças a Deus que não lembro dos tantos pensamentos que tive quando nasci, com certeza foram muitos.
Mas também me disseram que pensar de menos não faz bem, não ajuda em nada, não há como refletir, apenas não há como pensar. Ufa, esse não é o meu problema... menos um.
Pensar, pensar, pensar, pensar sem pensar, pensar sem querer pensar, pensar automático? Melhor maneira de expressar esse meu "grau de pensamento".

Pensar demais, já me fez tomar a decisão certa;
Pensar de menos, já me fez tomar a decisão errada;
Pensar demais, já me fez tomar a decisão errada;
Pensar de menos, já me fez tomar a decisão certa.

Então, pensar é mesmo a melhor maneira de tomar uma decisão?
Isso me faz pensar.

Penso, logo existo. Disse René Discartes
Existo, logo penso. Disse Friedrich Nietzsche

Eu formularia de um modo bem melhor: Penso, logo existo. Existo logo penso.
Disse tudo, juntando as duas idéias.
Então digo: Se penso existo, se existo penso. Diz Bruna Eccel
Pensar é inigualável, cada um tem o seu pensamento, pensamos sem querer pensar, pensamos por querer, pensar volto a dizer é automático.

Pensar me tira do monótono, pensar me tira da solidão, me leva onde quero, me faz sentir o cheiro que sinto saudades, me faz sentir o toque que já nem lembrava mais, pensar me faz pensar besteira, as vezes me assusta, as vezes me acalma, me leva pra perto, me tira do incerto, me faz ser louca, boba, solta, me traz de volta a alegria, me tira da tristeza, me faz chorar.. ora que logo já estou sorrindo, me faz imaginar, sentir talvez o que eu nunca vá sentir de verdade.

Sabe o que é o melhor de pensar?
Pensar é sonhar acordado, é ficar do teu lado, querer um estado, que não tem mais como voltar, não se para mais.

Quer saber da verdade?
Pensar vicia, e é o melhor vicio que pode-se ter.

Comece pensar em pensar, afinal até que isso faz bem. e ser louco nem é tão ruim assim!

Bruna Eccel

domingo, 9 de maio de 2010

E eu, o que sei de amor?



Não duvido que o amor exista, mas acredito que para alguns ele possa chegar mais tarde, ou demore mais para acontecer.

Provavelmente em algum momento ele vá surgir, pois, o que realmente sei é que na realidade ele não acontece quando mais precisamos, quando mais estamos querendo alguém do nosso lado, quando decide-se agora quero alguém comigo, conviver, deitar na rede, ligar de vez enquanto, sair, dar flores, encher de amores, dar um afago, um amasso, um abraço, um carinho, rir, chorar, entender, fazer bem, estar junto quando precisar enfim.. Tudo aquilo que se sonha ter quando se trata em conviver com um alguém que te faça bem.

Só tenho uma certeza, ele chega quando menos está dando atenção para isso, quando menos se espera e talvez quando menos queira... Pode estar ali na parada de ônibus, passando no corredor da faculdade, no mercado, pode estar casado, solteiro, namorando, noivando. No amor não existe status: ocupado. Quando é para acontecer e ser, isso é o que menos importa. O que acontece são os olhares, o coração batendo forte, o sorriso que parece que ilumina mais que tudo, a voz sai marcante... Depois de uma vez que se escuta é possível conseguir reconhecer essa voz a distância, o cheiro, o jeito, a vontade de ter por perto, de poder saber sobre esse alguém. Acontece então a primeira aproximação, e talvez a surpresa: essa pessoa tem mais de mim nela do que eu imaginava, gosta do que eu gosto, pensa como eu penso, tem um jeito todo dela, então por seguinte uma serie de pensamentos surgem.. eu nunca senti isso antes, eu nunca fui assim com ninguém, mas como isso?, eu acho que é a pessoa feita pra mim. É isso ai, o amor é surpreender-se sentir o que nunca sentiu antes, querer o que nunca quis antes, e quer saber a verdade? Pra isso acontecer depende apenas de uma pessoa, TU! Então faça acontecer, se sente metade desses sintomas que estão ai, só tenho uma coisa pra te dizer amigo (a), não deixe que ele, o amor passe por ti, ele realmente demora pra acontecer, e pra acontecer de novo ninguém sabe quando, e se poderá acontecer de novo. No momento em que o teu coração para de bater por uns segundos e tu sente como se a música Love is in the air estivesse tocando, ao menos pare pra pensar que o amor pode ter chegado pra ti!

E eu, do que EU sei de amor? Acho que nada, mas na minha cabeça está gravado como se ele acontecesse exatamente assim, mas o que é amor pra mim pode não ser amor pra ti (eu sei frase clichê). E o que me fez escrever isso? Isso nem eu sei.

E eu não sei se estou sendo tolo, Não sei se estou sendo sábio,
Mas [o amor] é algo em que devo acreditar... - Love Is In The Air

Bruna Eccel

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A tristeza permitida



Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

Martha Medeiros