segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lembra-se


Quando não se sente mais nada, quando o que preenche é vazio, lembra-se. Lembra-se por que as lembranças possuem a força de nos trazer sentimentos passados de volta, lembra-se porque revigora a alma e acalma o coração. Lembra-se por sentir amor, por sentir paz, por acalmar. Lembra-se para preencher. Lembra-se para não chamar de saudade, para disfarçar a verdade que tanto tenta se infiltrar. Lembra-se também, por lembrar, por observar. Lembra-se para sentir o que já não se sente mais, para sentir quando acha-se que já não é mais capaz.

Bruna Eccel

domingo, 16 de outubro de 2011

Onde se encontra


Onde se encontra a entrega e a vontade de amar?
Onde se encontra o amor sem medo de se entregar?
Onde se encontra a simplicidade de cada gesto e a verdade em cada olhar?
Onde se encontra andar de mãos dadas, serenatas, e beijos roubados a cada despertar? 
Onde se encontra nascer e pôr do sol ao lado, marcas de passos na areia, e fim de tarde olhando o mar? Onde se encontra o compartilhar?
Onde se encontra longas e boas gargalhadas?
Onde se encontra o que já se perdeu?
Onde se encontra o que já se tornou banal?
Onde se encontra?
É só falar que vou, é só falar que dou. Dou o melhor de mim e provo que ainda existe sim quem acredite nesse perdido, que ainda existe sim quem o tenha achado. Amor sem medo de amar, amor sem medo de demostrar, amor.

Bruna Eccel

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Salve-se quem doce puder


Todos falam muito de doçura, e repetem umas das frases mais famosas de Caio Fernando Abreu: “Que seja doce”. Então, eu pergunto: Se queres tanto doçura, fazes tua parte em ser doce para alguém? Hoje em dia pedimos tanto, pedimos muito, mas não sabemos dar, apenas pedir. Pensamos demasiadamente em nós, pedimos pra nós, e por nós. Esquecemo-nos dos outros, de todo resto. Hoje, o mundo anda com um lema quase que universal “Salve-se quem puder”. São poucos os que tem a nobre capacidade de serem doces, amigáveis, de agradecer ao invés de pedir, ou pedir sem reclamações. São poucos os que pedem que seja doce com o próximo, são poucos os que ao final do dia agradecem: “Obrigado, Deus. Por mais esse dia”. Somos nada, somos frágeis e por vezes nos achamos tudo, que somos de ferro. Então eu peço para todos e por todos: Que seja doce. Que seja sempre doce cada novo dia de suas vidas e da minha também. Que seja sempre doce seus amores e qualquer forma de amar. Mas, que também seja doce a força de passar pelas desilusões.Que seja doce e forte a saúde, que seja doce as risadas, os abraços, os beijos e os apertos de mão. Que seja doce na medida certa também, por que diabetes ninguém quer. Então, que seja doce a vida, que toda a vida e por toda a vida seja doce. E salve-se quem doce puder, quem doce tiver o dom de ser.

Bruna Eccel

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O real ciclo


No papel o ciclo é esse, mocinhas com seus corações partidos por um grande amor, então chega o seu príncipe encantado, estonteantemente belo, com um sorriso infalível, dentes brancos, e cara de bom moço disposto a ajudar. Veja bem, meu bem. No papel, o ciclo é esse agora na vida real é outra coisa. Tem sempre uma mocinha com o coração partido por um falso amor, então chega outro falso amor e parte mais ainda, depois chega outro falso amor e pisa mais ainda e depois ela aprende. Se é que se pode dizer aprender. Depois ela cansa de ser pisada, e dai existem apenas dois caminhos a seguir, ou ela começa a pisar em todos grandes falsos amores, ou potenciais grandes amores. E dai que eu tenho medo, tenho medo por que ela não vai mais acreditar em nada, e vai ser mais uma amargurada a dizer por ai que o amor não existe, só por que ela não foi forte o bastante pra levantar de todos os pisoes que ganhou e porque ela não foi forte pra suportar todas as partições que foram dadas no seu coração. E eu tenho pena, por que naquele dia em que ela decidiu que ia pisar em todos que ousassem se aproximar ou naquele dia em que ela se trancou em casa e pôs-se a chorar, naquele dia, o homem disposto a reconstruir o coração da moça passou. Não era um príncipe, mas podia ser chamado. Passou, e ficou olhando pra moça estonteantemente bela, com um ar sério, sem mostrar os dentes com cara de que não queria que nada se aproximasse, com cabeça baixa. Mas dai a outra moça que apesar de tudo, continuava sempre ali com a cabeça cada vez mais pro alto, a moça que já sabia o que queria que não andava mostrando os dentes, mas tinha traços agradabilíssimos cruzou no caminho desse bom moço e ai a vida deles começaram a se cruzar por diante, mas isso é outro papo. O ciclo é esse, e só há dois caminhos. Ou acredita-se mesmo depois de todos os pontapés e corações partidos ou desacredita-se amontoando mais um punhado deles. Digo-lhe, Pobre do limão que já nasce azedo e amargurado e nem assim desiste... Faz-se a doce limonada.

Bruna Eccel