terça-feira, 28 de junho de 2011

Meio termo


As coisas boas, só são boas na medida certa. Amor demais, enjoa. Alto demais, ecoa. Comer demais engorda. Triste demais, se isola. Calor de mais, sua. Rir de tudo, desespero. Chorar de tudo, depressão. Falar demais, tagarela.
Se for optar por alguma coisa, opte sempre pelo meio termo.
Um pouco de saudade, trás a falta. Com um pouco de birra, se tem de volta. Uma pitada de felicidade pra ver o quanto essa vida é boa, “apesar de”. Um sorriso a cada hora, pra aliviar a tensão de cada minuto. Um pouco de entusiasmo pra seguir em frente, mas não demais pra não se decepcionar logo mais. Uma medida certa de simpatia, pra não ser forçado. Um pouco de expectativa, pra não ficar frustrado. Uma ajuda ao próximo, pra poder ajudar a sí mesmo. Se embelezar, mas não fazer disso uma máscara. Ter humildade, mas não confundir com humilhação. Ter orgulho, mas saber pedir e aceitar um perdão. Se tem solidão, fazer dela um momento para reflexão. Não ser rico, nem ser pobre, mas aceitar o que se tem e lutar sempre pelo melhor. Crescer aos poucos para nunca se esquecer do esforço.
Amigos demais, rola falsidade. Amigos de menos, falta amizade de verdade. Saber demais, na realidade não se sabe de nada.
O meio termo é sempre o melhor.

Mas pensar demais, observar demais, ser quieta demais, enlouquecer demais, só me faz escrever demais. Só nesse caso, no meu caso, não sei se demais é o melhor.

Bruna Eccel

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saudade e distância




Se lembrar do jeito e dos gestos, das risadas, dos abraços, dos beijos, das atrapalhadas, do começo, do frio na barriga, das expectativas e Imaginar a presença. É saudade.
Mas o abraço não sentido, os sonhos pra te ver sorrindo, os beijos não devolvidos, o coração apertado pra ouvir tuas palavras no ouvido e querer estar do lado. É distância.
Distância requer mais que vontade, é provar na verdade. Provar que existe o que já não se acredita mais. É fazer das lembranças o porto seguro, se aconchegar no futuro, e entregar todo o resto ao presente. Distância também é segurar as mãos em pensamento, desejar um bom dia ao alento, é massagear e acostumar o coração com a falta. Distância é acreditar, querer, arriscar, confiar, se submeter, é amar. É acima de tudo fazer da saudade e das lembranças à sobrevivência, é ter paciência e tentar esperar. É Confiar no futuro e pedir uma ajuda pro cara lá de cima nos olhar.
Distância é a melhor amiga da saudade. Andam sempre juntas sem dó nem piedade.

Bruna Eccel

terça-feira, 21 de junho de 2011

Se foi


Se foi nossa graça e meu medo de perder o que nunca tive. Se foi meu medo de te abandonar, de tentar achar alguém que pudesse te substituir, se foi o teu lugar. Se foram as minhas mágoas, os meus lamentos escondidos, se foi o meu quebra-cabeça tentando pensar qual seria o defeito, mesmo sabendo que o defeito nunca foi meu, se foi a minha espera por algo que não valia nem os meus segundos. Mas não se foram as minhas memórias, os sorrisos que guardei, os abraços que não ganhei nem os beijos que sonhei. Não se foi a vontade de te ter ao meu lado, os dias pensando no passado, nem os beijos que na minha mente roubei. Não se foram as lembranças de quando planejamos sair pelo mundo juntos.Também não se foram as minhas mágoas, as histórias mal contadas, os dias em que não quis nem mais escutar o teu oi. Não se foram, as palavras que guardei, os sentimentos que exitei, nessa face de meio sorriso. Não se foram, as lembranças dos meus risos sem motivos, minhas atrapalhadas e tropeços sem sentido, nem o disparo do meu coração ao te ver sorrindo. Não se foi, porque nunca quis que fosse, não se foi por que tenho essa mania de trazer do meu lado aquelas coisas que mais gostei, sempre. Te trago assim, como uma coisa que já gostei, mas que só posso ter do lado.
"Se foi, mas sempre volta, essas coisas nunca se vão embora totalmente."

Bruna Eccel

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pessoas e Nozes


Algumas vezes penso que pessoas são como nozes. Algumas possuem suas cascas duras e rígidas, que só sendo quebradas pode-se conseguir o melhor delas, o que está dentro. Outras se racham facilmente, mas o que está por dentro encontra-se quebrado demais para conseguir se retirar por inteiro. Outras são moles por fora, fácil de rachar e podres por dentro. E ainda sim, existem aquelas, que só se obtêm o melhor quando encosta-se a outra coloca na palma da mão e aperta-se forte para serem abertas juntas.

Bruna Eccel